O que é auditoria externa e como funciona
Auditoria externa é a análise independente das contas e processos de uma empresa. Veja o que é, tipos, quem é obrigado e como funciona.
O que é auditoria externa e como funciona
A auditoria externa é a análise independente das contas e dos processos de uma empresa, feita por um auditor sem vínculo com ela, para confirmar se as informações prestadas são fidedignas e apontar falhas que precisam de correção.
A auditoria externa pode ser uma boa alternativa para descobrir falhas e oportunidades de melhorias nos setores da sua organização. Entenda neste artigo o porquê.
O que é auditoria externa
A auditoria externa é a área responsável por examinar, a partir de um ponto de vista mais imparcial, a forma como uma empresa executa seus processos, assegurando o bom funcionamento deles. Esse monitoramento busca identificar e corrigir eventuais fragilidades.
O termo auditoria externa diz respeito a um recorte do próprio conceito de auditoria, que tem origem no verbo inglês "to audit", cujo significado é examinar, ajustar, corrigir, certificar. Neste momento, o leitor deve estar se perguntando: qual é a diferença entre auditoria interna e externa? É o que descobriremos a seguir.
Diferenças entre auditoria interna e externa
Existem dois tipos diferentes de auditoria: a interna e a externa. Na primeira, o processo é realizado por um profissional próprio da empresa auditada e tem como objetivo aprimorar as normas internas. Já no segundo, a fiscalização é feita por um profissional de fora e, na maioria das vezes, é associada à obtenção de alguma certificação, como a ISO 27001, por exemplo, que é um framework de segurança da informação.
Enquanto a auditoria interna tem um caráter de monitoramento contínuo, a externa é periódica. Isto é, não ocorre com a mesma frequência que a primeira.
Além disso, se utilizada pela própria empresa para otimizações de normativas, a auditoria externa se destaca em relação à interna porque, geralmente, se supõe que suas análises não poderão ser influenciadas por vínculos empregatícios com a organização auditada. O auditor externo tem maior grau de autonomia.
O quadro abaixo resume as diferenças entre as duas.
| Critério | Auditoria interna | Auditoria externa |
|---|---|---|
| Quem executa | Profissional da própria empresa | Profissional ou firma independente, sem vínculo |
| Frequência | Contínua | Periódica, geralmente anual |
| Objetivo principal | Melhorar controles e processos internos | Validar as demonstrações financeiras e dar credibilidade externa |
| A quem interessa o resultado | Alta administração e comitê de auditoria | Sócios, acionistas, mercado e reguladores |
| Grau de independência | Menor, por causa do vínculo empregatício | Maior, com autonomia total |
Tipos de auditoria externa
A auditoria externa não é um exame único. Conforme o que a empresa precisa comprovar, o trabalho assume formatos diferentes, e vale saber qual deles a sua situação exige.
- Auditoria das demonstrações financeiras: o formato mais comum. O auditor verifica se o balanço, a demonstração de resultado e as demais peças contábeis retratam a real situação da empresa. É o exame descrito na auditoria das demonstrações contábeis.
- Auditoria de conformidade: avalia se a empresa cumpre leis, normas e políticas internas. Costuma andar junto do programa de governança e compliance, apontando desvios em nível profissional, civil e criminal.
- Auditoria de certificação: feita para que a empresa obtenha um selo reconhecido pelo mercado, como a ISO 27001 em segurança da informação ou certificações setoriais. O parecer do auditor é condição para emitir a certificação.
Objetivos da auditoria externa
Pode-se afirmar que o objetivo da auditoria externa é examinar demonstrações financeiras e questões especiais do negócio, buscando constatar possíveis gaps (lacunas) e problemas que requerem soluções. Se encontrar alguma falha ou oportunidade de melhoria, a auditoria reporta tais informações à alta administração por meio de um parecer.
A importância da auditoria externa
Para entender a importância da auditoria externa, vale ao leitor responder a si mesmo uma pergunta: você deseja que seu negócio seja perene? Se sim, você também deve saber que, para que isso aconteça, é necessário que se desenvolva uma boa gestão de riscos. Como uma empresa poderia existir por muito tempo sem um bom gerenciamento das ameaças à sua existência?
A auditoria externa é de extrema importância porque, além de prevenir riscos e otimizar processos, é um dos passos que compõem o programa de governança e compliance. O auditor externo comunica à organização suas inconformidades em nível profissional, civil e criminal.
E não só isso. Por vezes, a auditoria externa é feita para que a empresa receba certificações que lhe dão maior credibilidade no mercado.
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Quem é obrigado a fazer auditoria externa
Nem toda empresa é obrigada a contratar auditoria externa, mas boa parte é. A Lei nº 11.638/2007 determina que companhias abertas e sociedades de grande porte tenham suas demonstrações financeiras auditadas por auditor independente registrado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Pela lei, considera-se de grande porte a empresa (ou o grupo sob controle comum) com ativo total acima de R$ 240 milhões ou receita bruta anual acima de R$ 300 milhões no exercício anterior. Somam-se a elas as instituições financeiras, seguradoras e outras reguladas por órgãos como Banco Central e Susep, que também exigem auditoria independente. A regra completa está na Lei nº 11.638/2007.
Para reforçar a imparcialidade, a CVM ainda exige que companhias abertas troquem de firma de auditoria a cada cinco anos consecutivos. A rotação evita que a proximidade com o cliente comprometa a independência do parecer.
Como a auditoria externa funciona na prática
Na prática, a organização seleciona um auditor externo e imparcial. Ele deve ser um profissional confiável e que foque apenas nos procedimentos da organização, sem tentar encontrar responsáveis pelos problemas constatados.
Conforme prevê a Lei nº 11.638, as empresas de grande porte são obrigadas a utilizar auditores externos registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Após selecionada, a pessoa começará seus trabalhos de auditoria seguindo alguns passos como estes:
- Definição de objetivos da auditoria: metas são traçadas para que o auditor entenda o que deve ser priorizado em suas análises.
- Planejamento: como se dará o processo de auditoria e quais métodos serão utilizados.
- Montagem de cronograma: toda a informação levantada até aqui é convertida em um cronograma com etapas do processo.
- Elaboração de relatório e plano: por fim, organize todos os insumos da pesquisa em um relatório, analise-os e faça um plano de ação. Tudo isso deverá ser reportado à alta administração, e o conselho de administração definirá as atitudes que serão tomadas.
O parecer é o produto final da auditoria e pode assumir quatro formas, que vale conhecer:
- Sem ressalva: as demonstrações refletem a realidade da empresa, sem distorções relevantes.
- Com ressalva: há um ponto específico que destoa, mas que não compromete o conjunto.
- Adverso: as demonstrações contêm distorções graves e não representam a situação real.
- Abstenção de opinião: o auditor não teve informação suficiente para emitir um julgamento.
Auditoria externa e governança corporativa
A auditoria externa é uma das camadas de fiscalização da governança corporativa. Ela costuma trabalhar em conjunto com o conselho fiscal e o comitê de auditoria, que acompanham controles internos e contas antes que o resultado chegue à mesa do conselho de administração.
Na prática, o conselho fiscal opina sobre o trabalho dos auditores e sobre as contas, enquanto o comitê de auditoria supervisiona demonstrações e riscos. Esses órgãos dão ao conselho de administração a segurança de decidir sobre números confiáveis. É por isso que a auditoria externa raramente aparece sozinha: ela faz parte de uma estrutura de governança corporativa que se apoia em informação organizada e rastreável.
Desafios para a execução da auditoria externa
Um problema para a execução da auditoria externa, por vezes, é a organização das informações analisadas pelo auditor. Você já ficou dias procurando por uma ata de reunião? É uma situação frustrante, não é mesmo?
Está cansado de perder tempo na procura por documentos solicitados e gostaria de aposentar os arquivos físicos? Diante disso, cabe pensar na possibilidade de utilizar um portal de governança.
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Perguntas frequentes sobre auditoria externa
Qual é a diferença entre auditoria interna e externa?
A auditoria interna é feita por profissionais da própria empresa, de forma contínua, para melhorar controles. A auditoria externa é feita por um auditor independente, de forma periódica, para validar as contas e dar credibilidade perante o mercado e os reguladores.
Quem é obrigado a fazer auditoria externa?
São obrigadas as companhias abertas e as sociedades de grande porte, com ativo total acima de R$ 240 milhões ou receita bruta anual acima de R$ 300 milhões, além de instituições financeiras e seguradoras. A exigência está na Lei nº 11.638/2007.
Com que frequência a auditoria externa deve ser feita?
A auditoria externa costuma ser anual, acompanhando o encerramento do exercício financeiro. Companhias abertas ainda precisam trocar de firma de auditoria a cada cinco anos, por exigência da CVM.
O que é o parecer de auditoria?
O parecer de auditoria é a opinião formal do auditor sobre as demonstrações da empresa. Ele pode ser sem ressalva, com ressalva, adverso ou de abstenção de opinião, conforme o grau de confiança nas informações analisadas.
Auditoria externa e auditoria independente são a mesma coisa?
Sim. Auditoria independente é outro nome para auditoria externa, usado para reforçar que o auditor não tem vínculo com a empresa auditada e, por isso, tem autonomia para emitir seu parecer.